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Fórum Sinodal Juvenil

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O Sínodo e os Jovens aproximam-se
Escrito por SDPVJES/CDPJ   
Segunda, 30 Janeiro 2012 16:00

Fórum Sinodal JuvenilNo dia 28 de janeiro de 2012, pelas 14:30, viu-se o aspeto da igreja do Seminário Maior de Viseu alterado para acolher o Fórum Sinodal Juvenil, uma iniciativa levada a cabo pelo Conselho Diocesano da Pastoral da Juventude, com a colaboração do Secretariado Geral do Sínodo. O objetivo foi informar os jovens mais proximamente sobre o que é o Sínodo Diocesano e escutar as questões que, com anseio de renovação, eles colocam à Igreja diocesana. Compareceram cerca de 45 jovens, incluindo os seus animadores, das seguintes paróquias e movimentos que acompanham os jovens.

 

Paróquias: Currelos, Mioma, Coração de Jesus, Pindelo dos Milagres, Couto de Baixo, S. Pedro do Sul, Abraveses, Canas de Senhorim, Santiago de Cassurrães, Viso, Mangualde, Pinheiro de Lafões, Santa Maria, Fornos de Algodres, Ribeiradio, Pinheiro de Lafões.

Movimentos: Juventude Franciscana, Mensagem de Fátima, Convívios Fraternos, Juventude Mariana Vicentina, Ação Católica Rural.

Na sua saudação, D. Ilídio Leandro salientou as seguintes ideias:
  • O Sínodo como meio de renovação da diocese para que seja o motor da vida da Igreja futura.
  • Estamos em Sínodo porque somos Igreja e orgulhamo-nos da Igreja que somos.
  • Somos Igreja nascida na Páscoa de Jesus, dinamizada pelo Espírito Santo.
  • O Sínodo é para procurar a Igreja de Jesus que, se calhar, anda por aí perdida, ou está no ideal, no sonho…
  • Eu queria esta Igreja para nós hoje, para a nossa Igreja de Viseu.
  • Encontramos um espelho da Igreja no livro dos Actos dos Apóstolos, cap. 2, na vida dos primeiros cristãos, que se distinguia por umas notas marcantes: escutavam o ensino dos apóstolos; eram assíduos à oração; partiam o pão da Eucaristia com alegria, e tinham tudo em comum. O Sínodo ajuda-nos a olhar para este “espelho”, à luz dos principais documentos do Concílio Vaticano II: Lumen Gentium, Dei Verbum, Gaudium et Spes e Sacrosanctum Concilium.
  • Não é concebível o Sínodo diocesano sem os jovens, porque eles são o presente e o futuro. Precisamos das suas críticas, das suas opiniões, propostas e… “rebeldias”.

Seguiu-se um espaço dado às perguntas fundamentais dos jovens, trazidas das suas reflexões de grupo, intercaladas por alguns vídeos e animação musical.

Jovens: Ouvimos falar em renovação da Igreja; nós próprios, jovens, somos Igreja. Gostaríamos ouvir do Sr. Bispo qual o conselho que nos daria para sermos nós próprios, jovens, a renovar a Igreja, e renovar-nos a nós próprios.
D. Ilídio: O mais belo da Igreja está no Evangelho, a Boa Notícia que é Jesus Cristo. A forma mais bela de renovação é cada jovem ser a realidade dessa Palavra de Deus, hoje. Somos convidados a tornar-nos Palavra de Deus viva para que essa Palavra seja atual: amor muito grande a Jesus e, neste amor, amar a cada pessoa. Assim será um jovem renovado, que transmite alegria e esperança. Estes são os dois valores importantes para o nosso mundo e sociedade. Cada jovem, numa Igreja renovada, é chamado a viver este amor.

Jovens: Que dificuldades está a sentir a Igreja na hora de transmitir a mensagem aos jovens?
D. Ilídio: A dificuldade é dupla: dificuldade da linguagem e do diálogo. Temos um modo de falar e transmitir que os jovens muitas vezes não percebem. Os jovens sentem que a Igreja lhes diz pouco. Antes da Igreja falar, eles já se afastaram, já não estão lá. Solução? Que os jovens sejam os evangelizadores dos próprios jovens, como insiste o papa Bento XVI.

Jovens: Porque é que os sacerdotes têm receio de estar com os jovens e de lhes explicar o que é a Igreja?
D. Ilídio: Muitas vezes, estando com sacerdotes, também escutei estes desabafos: «os jovens, não ligam a estas coisas; não aparecem. Eu não consigo falar com os jovens…».
Eu sei também que cada padre sonha em ter a melhor paróquia do mundo. Às vezes, caem nalguma angústia porque falam e convidam, e ninguém responde. Sede vós a dizer aos vossos párocos que quereis estar com eles na evangelização dos jovens. Muitos párocos gostariam de começar a trabalhar com os jovens. Dizei-lhes que estais com eles. Os jovens são os melhores apóstolos dos jovens, porque partilham as mesmas dificuldades e alegrias.


Jovens: Numa sociedade tão materialista e científica, que exige provas para tudo, como podemos nós ajudar a desenvolver o lado espiritual dos jovens?
D. Ilídio: Por vezes, é difícil passar valores numa cultura como a nossa. A experiência de Jesus não se passa através da teoria e ninguém aceita Jesus Cristo numa linha de concorrência. É fruto de uma experiência pessoal. Só podemos falar de Jesus quando nos fazemos próximos dessa pessoa e através dessa proximidade comunicamos-lhe a nossa experiência. Aproximamo-nos desde uma experiência feliz, alegre, praticada no amor aos mais pobres e pequenos. O anúncio de Cristo não passa por uma teoria desencarnada; passa pelo testemunho de vida, pela forma de viver. Só assim é que os outros acreditarão.

Jovens: Perante a nossa sociedade em que os jovens não encontram valores, o que é que a Igreja está a fazer e o que deve fazer para chamar aos jovens?
D. Ilídio: Temos que saber ver o positivo que já existe. Por exemplo, este encontro; e também muitos outros encontros e projetos nos quais há jovens comprometidos, envolvidos como Igreja. As JMJ de Madrid foram como um oásis. Esse milhão de jovens unidos pela fé, irmanados por Jesus. Na mensagem posterior dos bispos fala-se de um perfil de jovem cristão: que considera Jesus como sentido da sua vida, a resposta para as grandes questões; é um discípulo e um missionário; é uma testemunha de fé que quer trabalhar por um mundo melhor; não está sozinho, pois é importante o grupo de jovens, aberto por sua vez à comunidade paroquial; o jovem é por natureza o primeiro aliado de Cristo, dizia João Paulo II, pois, para mudar o mundo, a melhor arma são os valores que Cristo nos traz.

Jovens: Alguns jovens da nossa terra não vão à Igreja. Que fazer para que os jovens possam começar a ir à igreja?
D. Ilídio: Não os atraem agarrando-os pela mão! Os jovens que não vão à Igreja precisam de saber que há outros que vão. Talvez seria bom começar por fazer coisas cá fora para os atrair. Convidar, atribuir tarefas, colaborar para que eles se sintam à vontade e gostem de fazer isso. Não queiramos, primeiro, “meter os jovens na Igreja”. Procuremos aproximar-nos deles, propor-lhes coisas que eles gostem, coisas bonitas. O ir à igreja virá depois!

Jovens: Que papel podem ter os jovens que estão nos movimentos para dar o seu contributo na renovação da Igreja a partir da realidade sinodal que estamos a viver?
D. Ilídio: Os movimentos são “raios de sol” que iluminam e aquecem a Igreja. São portadores de novidade. Cada movimento acentua uma pincelada do Evangelho, reforçando um seu aspeto particular. Cada movimento, que é uma graça, abre caminhos concretos na grande estrada que a Igreja, caminhos para Deus e caminhos para os homens. Cada movimento tem que dar o seu contributo, mas sabendo que são uma parcela no conjunto de toda a Igreja unida. Os carismas são a expressão que o Espírito encontra para, em cada momento, chamar à vida e à festa todas as pessoas.

Jovens: Sr. Bispo, que acha destes valores apontados pelos jovens para eta Igreja diocesana? Simplificar as estruturas da Igreja, aumentar a credibilidade, de modo a terem consequências práticas na vida dos jovens. Repensar uma pastoral juvenil de proximidade. Envolver ativamente os leigos nas estruturas de liderança da Igreja libertando os párocos para a pastoral. Aceitar o desafio da pós-modernidade, agilizando estruturas evangélicas credíveis e visíveis que afetem e mexam com a vida dos jovens. Apostar numa pastoral de espiritualidade. Formar um banco de voluntariado diocesano para jovens. Aumentar a atividade prática na catequese. Que o anúncio da Palavra seja exemplificado.
D. Ilídio: Hoje pedem-se muitas respostas à Igreja. Pede-se uma proximidade. Resolver problemas de pobreza envergonhada. Acolher e acompanhar as angústias das famílias que passam por sérios problemas e dificuldades. Os jovens podem encontrar formas de tornar a Igreja presente, ativa, capaz de dar respostas às necessidades que existem nas comunidades, nos arciprestados… Onde houver uma necessidade concreta, a Igreja tem que dar uma resposta, a Igreja como comunidade das pessoas.

O encontro terminou com a indicação de que o “interface” entre os jovens e o Sínodo Diocesano não é só o Secretariado da Juventude, mas também o Secretariado Geral do Sínodo aqui presente. Antes de rezarmos, unidos, pelo Sínodo, cada participante, a começar pelo Sr. Bispo, desenhou a sua mão ou pé com o seu nome num painel, manifestando a sua vontade em estar e caminhar na para a missão nesta Igreja que está na Diocese de Viseu.

Porque muitas perguntas ficaram por fazer, por falta de tempo, informou-se que se vão organizar novas formas, ainda que discretas, de continuar este diálogo, saudável e fundamental, com os jovens em favor da renovação da Igreja que eles são chamados e querem “habitar” através deste dinamismo de renovação.

 

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Actualizado em Quinta, 09 Fevereiro 2012 08:21
 
JB
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