Como novidade, apresento um novo desafio de unir numa única identidade três realidades que antes estavam separadas: a pastoral do ensino superior, a pastoral juvenil e a pastoral vocacional. Deu-se conta que ambas têm algo em comum: a etapa da juventude sobressai no âmbito destas três pastorais. O objectivo do novo Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações, Juventude e Ensino Superior será o de integrar três dimensões de toda a pessoa humana (e, concretamente, do jovem) que andavam “dispersas” pastoralmente:
A dimensão intelectual, porque, antes de mais, há em todos nós perguntas para a inteligência, sobre o porquê e o objectivo das coisas, através das quais criamos uma visão do mundo, explorando o que podemos ser e o que poderemos fazer. É a ordem do conhecer.
A dimensão ética ou moral diz-nos que há perguntas na ordem do fazer. É a dimensão segundo a qual damos um valor objectivo à realidade conhecida anteriormente. Pôr perguntas e procurar as respostas põe-nos no caminho da coerência que implica viver em conformidade com as respostas. A aparência aproxima-se cada vez mais da realidade.
Mas ainda existe ainda uma outra capacidade humana, para além de conhecer e fazer coisas: a de se enamorar! E existem diversos modos de ser enamorados: existe o amor da intimidade, do marido e da mulher, dos pais e dos filhos; existe o amor aos próprios semelhantes, que tem como fruto a realização do bem-estar humano; existe o amor de Deus com todo o próprio coração e com toda a própria alma, com toda a própria mente e com todas as próprias forças (cf. Mc 12,30). O enamoramento suscita em nós a pergunta sobre o sentido da nossa existência e o seu Princípio: Deus. Assim, estar enamorados por Deus é o cumprimento fundamental da nossa consciência e da nossa vontade que nos dará uma paz radical e terá como fruto o amor ao próximo. A ausência desta tarefa leva à banalização da vida humana na procura do mero divertimento, ao exercício do poder, do desespero, da concepção de que tudo é absurdo. A resposta a este perguntar concretiza-se com a escolha de um estado de vida.
Assim, uma pastoral juvenil não poderá ser uma pastoral que não seja vocacional e uma pastoral vocacional não pode ser uma pastoral que não faça conviver fé e cultura. Por isso, a estratégia que, para já, se apresenta como urgente no grupo que forma este Secretariado foi o Centro Cultural, Juvenil e Vocacional da Diocese de Viseu, que é um espaço de acolhimento a todos os que estão envolvidos num caminho formativo, juvenil e vocacional. Está a procurar criar-se um ambiente que seja fermento de uma mentalidade onde a actividade juvenil não pode estar fora de um itinerário para o qual também necessitam de apoio. Quando se liga o “carro” para a “viagem” longa da vida, convém conhecer-lhe a mecânica, dar-lhe “combustível” suficiente e sabê-lo conduzir, para que siga uma “estrada” mais ou menos segura rumo ao horizonte do Mistério.
Este Centro é um convite especial aos jovens, a entrarem nesta aventura, que é matizada pela virtude da esperança, através de uma pedagogia mistagógica da explicação dos mistérios da fé apresentados e celebrados na iniciação cristã da infância e adolescência. O horizonte último deste itinerário será a vivência da caridade através de uma decisão vocacional específica. Esta visão pedagógica apresenta-nos as três virtudes teologais não só como três valores estáticos escritos no “livro de bolso” da piedade popular e a integrar na vida quotidiana do crente, mas também como “bússolas” que Deus põe como graças sobrenaturais na vida de quem percorre um caminho em direcção a um horizonte preciso. O tempo da juventude será, portanto, tempo de esperar, sob a acção da graça de Deus, a concretização da Sua caridade em cada um, para se tornar também caridade para os outros, através de um estilo de vida concreto.